Feeds:
Posts
Comentários

Em uma conversa com a minha querida Timeline Twitteira durante uma madrugada borralheira, surgiu a idéia de compartilhar todos os documentários que já assisti e considero aproveitáveis/bons. Fiz uma lista, classifiquei e eis que surge:

  • ARTE

Sobre o poder transformador da arte: “Lixo extraordinário”.

Sobre a “arte” no nazismo: “Arquitetura da destruição”.

“Como a arte moldou o mundo” é da BBC. Recomendadíssimo.

  • HISTÓRIA

Série “Roma” (HBO) mostra vários aspectos da cultura romana.

Sobre o mito: “O poder do mito”, de Joseph Campbell.

“Racism, a story” é um documentário da BBC sobre racismo.

“Histórias de heróis viajantes” busca a origem dos mitos gregos.

“Libertação 1945” fala sobre duas diferentes frentes de batalha durante a Segunda Guerra. A parte do genocídio é bizarra.

“Matando Hitler” é o documentário da National Geographic sobre as tentativas de matar o “líder” nazista.

“Arquivos secretos da inquisição” é do History Channel, e mostra os pontos mais obscuros de intervenção da Igreja Católica.

Sobre o mito do Papai Noel: Assisti faz pouco tempo no History Channel “A verdadeira face do Papai Noel”.

Sobre o Brasil: “Raízes do Brasil”, do Sérgio Buarque de Hollanda.

“Do horror à memória” – sobre o centro de detenção clandestina da Argentina que torturou e assassinou cerca de 5 mil pessoas.

Sobre o holocausto: “Rompendo o silêncio”.

“O povo brasileiro” é um documentário baseado na obra de Darcy Ribeiro.

Documentário sobre racismo: “A negação do Brasil”.

Sobre medievalismos: “Por dentro da mente medieval”.

Para quem estuda história das religiões: “História das religiões”. 13 episódios.

“Julgamento em Nuremberg” fala do julgamento de Rudolf Hess, um dos fanáticos entre Adolf Hitler.

“Sexo, crime e Vaticano” – Documentário da BBC de Londres proibido no Brasil, Portugal e Itália, sobre abusos sexuais e pedofilia cometidos por sacerdotes católicos em vários paises, inclusive no Brasil, acobertados pela Igreja e pelo papa Bento XVI.

  • ATEÍSMO

“Os inimigos da razão”, do Richard Dawkins.

“Religulous”, do Bill Maher. Hilário. Recomendadíssimo.

Questionando dogmas religiosos: “O Deus que não estava lá”. Tem Dawkins nesse doc, inclusive.

Também sobre a inexistência de Deus: “O julgamento de Deus” (BBC) são diálogos entre judeus em campos de concentração.

“Ateísmo: A breve história da descrença” não é de qualidade muito boa, mas serve como dica.

Questionando Deus: “Talvez Deus esteja doente”– sobre as realidades do continente africano.

Sobre as atrocidades que a religião comete no psicológico infantil: “Jesus Camp”. É excelente, embora cruel.

Sobre a prática da fé: “Deus, livrai-nos dos teus seguidores”. Documentário que fala sobre a divisão da cultura dos EUA graças à religião.

“Prisioneiros de um Deus branco” – é excelente. Fala sobre os abusos da doutrinação.

“Uma atéia entre cristãos” – uma atéia entre cristãos durante 30 dias. Está disponível no Youtube.

  • CIÊNCIA

“IMAX Hubble” – para quem curte as imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble. É de arrepiar. Apaixonante!

Sobre Einstein e suas teorias: “Einstein muito além da relatividade”.

Sobre C. Darwin: “Darwin, a viagem que abalou o mundo”.

Sobre evolucionismo: há o documentário “O relojoeiro cego” – baseado no livro de mesmo nome, do Richard Dawkins.

Sobre as missões Apollo: “Na sombra da Lua”.

“Janela da alma”– sobre deficiência visual e comportamento. Em um mundo saturado de imagens, o ver e o não-ver.

Também sobre Darwin há o documentário “O gênio de Charles Darwin. Foi escrito e apresentado pelo Richard Dawkins.

“Sobre a evolução “A origem do homem”, do Discovery Channel.

Sobre a conquista espacial (do lado americano): “Grandes Missões da NASA”.

“Confinamento solitário” é um documentário do canal National Geographic sobre o que acontece com o indivíduo durante o isolamento.

“Stephen Hawking – Uma breve história do Tempo”, baseado no livro de mesmo nome.

  • OUTROS

“No estranho planeta dos seres audiovisuais” é um documentário de 16 episódios que mostra a nossa relação com o audiovisual.

“Estamira” me ganhou desde a primeira vez que assisti. Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre de “distúrbios mentais”. Ela vive e trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, um local que recebe diariamente mais de 8 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro. Com um discurso filosófico e poético, ela analisa questões de interesse global.

“Notícias de uma guerra particular” é o documentário que deu origem ao “Tropa de elite”.

Para os administradores e curiosos de plantão: “O jeito Google de trabalhar” (National Geographic) mostra os bastidores do Google.

“O Inferno de Dante” (do Discovery Channel) leva os “círculos do inferno de Dante Alighieri” para a interpretação contemporânea.

Sobre os jovens (menores de 18 anos) em conflito com a lei: Documentário “Juízo”.

Esse tem que ser muito analisado, um documentário duro e frio: “Olhos azuis” (Blue eyed), com a Jane Elliot. É sobre preconceito racial.

Sobre o suicídio assistido: “EXIT: O Direito de Morrer”.

Desigualdade econômica do Brasil: “Boca de Lixo”.

Sobre crise populacional: “Quantas pessoas podem viver na Terra?”. É um documentário da BBC.

Sobre o sistema carcerário dos EUA: “Imagens da prisão”.

“Sicko”, do Moore – sobre o sistema norte-americano de convênios médicos. É BIZARRO e indignante. Está disponível AQUI.

Sobre o roubo da imagem/identidade das comunidades em SP: “À margem da imagem”.

Sobre ciência e humanidade: “Cosmos”, do Carl Sagan.

“Objectified” investiga nossa relação com os objetos produzidos e as pessoas que os projetam.

Sobre a política de drogas no Brasil e no mundo: “Cortina de fumaça”.

“Complexo – Universo Paralelo”: Uma visão sensível de dentro da favela.

Para quem curte Friedrich Nietzsche, há o documentário da BBC: “Nietzsche – All To Human”.

Aos que curtem Kafka, existe um documentário de Modesto Carone sobre Kafka.

Sobre música clássica, havia uma série chamada “the great composers” (BBC).

Sobre Espinosa: “Espinosa – O Apóstolo da Razão“.

Existe um documentário chamado “Fitna: por que a religião envenena tudo”. CUIDADO: é racista e incita a violência.

“Prisoneiros da grade de ferro”: Um ano antes da desativação do Carandiru, detentos documentam o cotidiano do presídio.

Publico a lista de filmes e livros depois. Um beijo.

Na cidade de São Paulo, um artista resolveu fazer uma manifestação pela paz. Caracterizou-se como terrorista, fabricou uma “arma” e colocou uma flor na ponta.
Eis o que aconteceu:

Não, não acaba aí. Há mais:

Continuar Lendo »

O bicho

O Bicho
(Manuel Bandeira)

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

@ Foto tirada por Antonio Mello, em Ipanema, V Pirajá/Farme.
@ Créditos ao poema: Blog Maria Frô.

Era para a postagem ser a continuação do “A insustentável leveza do ser”, mas encontrei essa imagem e não poderia deixar passar.

Imagem: A parábola dos cegos – Brueghel

Nada causa mais medo que a consciência da nossa destruição. A morte é o medo supremo. Morrer é o total desaparecimento do meu “eu no mundo” (vida social, pensamento e corpo do indivíduo) e, ao me deparar com a morte, me confronto com a minha própria finitude. Porém… Como seria se a morte não existisse?

José Saramago escreveu seu premiado romance “As intermitências da morte” criando um país imaginário onde ninguém mais “batia as botas”. Com a greve da macabra figura da morte, o país passa a viver (claro!) um problema: a falta de óbitos não prejudica apenas as funerárias, mas lota os hospitais de pacientes agonizantes que não conseguem “descanso”. A população aumenta sem cessar, os idosos acumulam doenças típicas da idade avançada e a Igreja, que tinha na morte os seus alicerces, se vê em crise. A morte é a única certeza da vida. Negar a morte, portanto, também é negar a vida. “O homem é um cadáver adiado”, disse Fernando Pessoa.

Doris Rinaldo (1996) comenta como desde o paleolítico agimos de forma a tentar domesticar a morte, ritualizando-a. Tentamos impedir o fim natural dos nossos parentes e amigos, sob a necessidade de acreditar que a existência não acaba agora, nem aqui. O ritual é uma forma aparente de “confirmar” a crença, de firmá-la, de torná-la palpável. Aquilo que não possui evidências tende a ser ritualizado, na tentativa de que o ritual se confunda com evidência.

Antigamente (2009) costumava passar na TV Escola um documentário chamado How art made the world, do Nigel Spivey. No último episódio é mostrado como o homem sempre teve medo e fascínio pela morte, criando em torno dela mitos dos mais diversos. A imagem da morte nos aterroriza e reconforta. Por que construímos cemitérios para os mortos e suas fotografias permanecem nas paredes de nossas casas? No século XXI, as pessoas veem muito menos cadáveres que em qualquer outro período da história. Contudo, parecemos muito mais “problemáticos” com a imagem da morte que nossos antepassados. O documentário passeia do Oriente Médio até a América para descobrir o motivo. E você pode assisti-lo aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6.

O medo da morte nos valoriza como espécie, nos mantém firmes no instinto de sobrevivência. Mas é pelo medo da morte que o homem se torna escravo de certas “crenças confortadoras”, que prometem uma outra vida: uma vida que não existe. É comum, inclusive, encontrar pessoas que renunciam à sua vida atual em prol de uma vida futura inexistente. A condição que deveria nos aproximar (todos nós morreremos um dia), nos afasta. “Eu vou para o céu, você vai para o inferno”, “Eu creio em um deus, você crê em outro deus”, “Você é um pecador”. A crença em seres superiores dividiu a humanidade em santos e sátiros, disputando por um espaço post mortem que jamais terão.

(Continua amanhã, no próximo post.)

O documentário Hakani, que encontrei navegando sem rumo pelo Youtube, foi uma cooperação com dez povos indígenas diferentes. Filmado por David L. Cunningham (que utilizou bolo de chocolate para parecer terra), o filme carrega no título o nome de uma sobrevivente de infanticídio. A maioria das pessoas que atuam no documentário são também sobreviventes ou indígenas que salvaram crianças destinadas à morte. As cenas, como é possível observar, são simulações que recriam o ambiente e o ritual.

Sobre a prática, vamos ponderar:
Pesquisando sobre o posicionamento de algumas instituições, descobri que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) discordam da criminalização do infanticídio indígena, alegando ser “respeito à cultura”. Vejamos: respeito à cultura, que se sobrepõe ao respeito ao ser humano, que é quem faz a cultura. Parece um pouco paradoxal. Há respeito à cultura de um povo onde não há respeito ao indivíduo em algum de seus aspectos (o “eu” – relação do indivíduo consigo mesmo, o “ser” – relação do indivíduo com o meio, e a “pessoa” – relação do indivíduo com outros indivíduos)?

“Antigamente”, no Ocidente, os mortos/doentes eram enterrados vivos. Era isso que ocorria com os leprosos, considerados socialmente mortos. Quando procurei referências a respeito do infanticídio nos dias atuais – especialmente sobre o infanticídio indígena -, a alegação favorável mais comum que encontrei foi a de que apenas as crianças que não têm condições sociais de sobrevivência dentro da tribo são mortas. Independentemente do motivo, o fato contraria o Art. 5 da Constituição Federal:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Ressalto:

“VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.”

Algumas tribos já permitem a adoção de tais crianças por  pessoas não indígenas, o que é um avanço e tanto. Contudo, ainda não é solução.

A vida humana é inviolável.

(Assista ao vídeo do começo desse post.)

Imagem: Salvador Dalí

O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia.

E como um dia faltassse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.

José Paulo Paes