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Archive for fevereiro \28\UTC 2011

O que eu calo

Imagem: Search images – Google

“Entre a fala e o falo, existe o desejo que eu calo.”

Rodrigo Tome

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Imagem: Refugiados – Sebastião Salgado

“M.A.D.A. com 29 anos, brasileiro, solteiro, operário, foi indiciado pelo inquérito policial pela contravenção de vadiagem, prevista no artigo 59 da Lei das Contravenções Penais. Requer o Ministério Público, a expedição de Portaria Contravencional. O que é vadiagem? A resposta é dada pelo artigo supramencionado: ‘entregar-se habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho…’ Trata-se de uma norma legal draconiana, injusta e parcial. Destina-se apenas ao pobre, ao miserável, ao farrapo humano, curtido vencido pela vida. O pau de arara do Nordeste, o boia-fria do sul. O filho do pobre, que é pobre, sujeito está à penalização. O filho do rico, que rico é, não precisa trablhar, porque tem renda paterna para lhe assegurar os meios de subsistência. Depois se diz que a lei é igual para todos! Máxima sonora na boca de um orador, frase mística para os apaixonados e sonhadores acadêmicos de Direito. Realidade dura e crua para quem enfrenta, diariamente, filas e mais filas na busca de um emprego. Constatação cruel para quem, diplomado, incursiona pelos caminhos da justiça e sente que os pratos da balança não tem o mesmo peso. M.A. mora na Ilha das Flores (?) no estuário do Guaíba. Carrega sacos. Trabalha ‘em nome’ de um irmão. Seu mal foi estar em um bar na Voluntários da Pátria, as 22:00 horas. Mas se haveria de querer que estivesse numa uisqueria ou choperia do centro, ou num restaurante de Petrópolis, ou ainda numa boate de Ipanema? Na escala de valores utilizada para valorar as pessoas, quem toma um trago de cana, num bolicho da Volunta, ás 22 horas, e não tem documento, nem um cartão de crédito, é vadio. Quem se encharca de uísque escocês numa boate da Zona Sul e ao sair, na madrugada, dirige (?) um belo carro, com a carteira recheada de ‘cheques especiais’, é um burguês. Este, se é pego ao cometer uma infração de trânsito, constatada a embriaguez, paga a fiança e se livra solto. Aquele, se não tem emprego, é preso por vadiagem. Não tem fiança (e mesmo que houvesse, não teria dinheiro para pagá-la) e fica preso. De outro lado, na luta para encontrar um lugar ao sol, ficará sempre de fora o mais fraco. É sabido que existe desemprego flagrante. O zé ninguém (já está dito) não tem amigos influentes, não há apresentação, não há padrinho, não tem referências, não tem nome, nem tradição. É sempre preterido. É o Nico Bondade, já imortalizado no humorismo (mais tragédia que humor) do Chico Anísio. As mãos que produzem força, que carregam sacos, que produzem argamassa, que agarram na picareta, nos andaimes, que trazem calos, unhas arrancadas, não podem se dar bem com a caneta nem com a vida. E hoje para qualquer emprego, exige-se, no mínimo, o primeiro grau. Aliás, grau acena para graúdo. E deles é o reino da terra. Marco Antônio, apesar da imponência do nome é miúdo. E sempre será. Sua esperança? Talvez o Reino do Céu. A lei é injusta. Claro que é. Mas a Justiça não é cega? Sim, mas o Juiz não é. Por isso: determino o arquivamento do processo deste inquérito.

Porto Alegre, 27 de setembro de 1999.

Moacir Danilo Rodrigues. Juiz de Direito – 5 Vara Criminal.”


Meus sinceros agradecimentos ao amigo Luiz C. Lorencetti, pelo achado.

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Solidão de indivíduo

Imagem: Foto – Henri Cartier Bresson

Era como uma criança adormecida,
Sonhando com um deus qualquer e uma grande lua antiga.
Era um pássaro,
Um vôo,
Essas coisas que não entendo
E por isso só sei contemplar.
Era uma mistura de acasos,
No caos
Um eco
No sempre.
Via passar os invernos e os verões, derrubando Aurelianos e Arcadios em uma provisão secreta.
Porque sou da estirpe.
E “as estirpes condenadas a cem anos de solidão não terão jamais uma segunda oportunidade sobre a Terra”.

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Atheism

Comercial ateísta – Legendado.

Atheism Free your mind.

Poema utilizado:

“God wants religion
to be a barrier
To divide all the different people
Who stood side by side.

God wants hypocrisy
And constant war.
Common sense
He wants to ignore.

God wants exploitation,
His voice to be heard
And to spread diseases
that will never be cured.

He wants riches,
“It’s my word,” he’ll cry.
While millions of people Fall down. And die.

Well Here I am God,
doubting your existence, questioning your omnipotence.
To you the suffering world pleads their case,
to all you refuse to show your face,
in the eyes of the believers and the congregation,
I am condemned to hell, deserved of damnation.

But because I choose to think freely,
I do not have to listen to the merciless cries from the imaginary deity.”

Desconheço autoria.

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