Feeds:
Posts
Comentários

Archive for abril \23\UTC 2011

O bicho

O Bicho
(Manuel Bandeira)

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

@ Foto tirada por Antonio Mello, em Ipanema, V Pirajá/Farme.
@ Créditos ao poema: Blog Maria Frô.

Era para a postagem ser a continuação do “A insustentável leveza do ser”, mas encontrei essa imagem e não poderia deixar passar.

Anúncios

Read Full Post »

Imagem: A parábola dos cegos – Brueghel

Nada causa mais medo que a consciência da nossa destruição. A morte é o medo supremo. Morrer é o total desaparecimento do meu “eu no mundo” (vida social, pensamento e corpo do indivíduo) e, ao me deparar com a morte, me confronto com a minha própria finitude. Porém… Como seria se a morte não existisse?

José Saramago escreveu seu premiado romance “As intermitências da morte” criando um país imaginário onde ninguém mais “batia as botas”. Com a greve da macabra figura da morte, o país passa a viver (claro!) um problema: a falta de óbitos não prejudica apenas as funerárias, mas lota os hospitais de pacientes agonizantes que não conseguem “descanso”. A população aumenta sem cessar, os idosos acumulam doenças típicas da idade avançada e a Igreja, que tinha na morte os seus alicerces, se vê em crise. A morte é a única certeza da vida. Negar a morte, portanto, também é negar a vida. “O homem é um cadáver adiado”, disse Fernando Pessoa.

Doris Rinaldo (1996) comenta como desde o paleolítico agimos de forma a tentar domesticar a morte, ritualizando-a. Tentamos impedir o fim natural dos nossos parentes e amigos, sob a necessidade de acreditar que a existência não acaba agora, nem aqui. O ritual é uma forma aparente de “confirmar” a crença, de firmá-la, de torná-la palpável. Aquilo que não possui evidências tende a ser ritualizado, na tentativa de que o ritual se confunda com evidência.

Antigamente (2009) costumava passar na TV Escola um documentário chamado How art made the world, do Nigel Spivey. No último episódio é mostrado como o homem sempre teve medo e fascínio pela morte, criando em torno dela mitos dos mais diversos. A imagem da morte nos aterroriza e reconforta. Por que construímos cemitérios para os mortos e suas fotografias permanecem nas paredes de nossas casas? No século XXI, as pessoas veem muito menos cadáveres que em qualquer outro período da história. Contudo, parecemos muito mais “problemáticos” com a imagem da morte que nossos antepassados. O documentário passeia do Oriente Médio até a América para descobrir o motivo. E você pode assisti-lo aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6.

O medo da morte nos valoriza como espécie, nos mantém firmes no instinto de sobrevivência. Mas é pelo medo da morte que o homem se torna escravo de certas “crenças confortadoras”, que prometem uma outra vida: uma vida que não existe. É comum, inclusive, encontrar pessoas que renunciam à sua vida atual em prol de uma vida futura inexistente. A condição que deveria nos aproximar (todos nós morreremos um dia), nos afasta. “Eu vou para o céu, você vai para o inferno”, “Eu creio em um deus, você crê em outro deus”, “Você é um pecador”. A crença em seres superiores dividiu a humanidade em santos e sátiros, disputando por um espaço post mortem que jamais terão.

(Continua amanhã, no próximo post.)

Read Full Post »

O documentário Hakani, que encontrei navegando sem rumo pelo Youtube, foi uma cooperação com dez povos indígenas diferentes. Filmado por David L. Cunningham (que utilizou bolo de chocolate para parecer terra), o filme carrega no título o nome de uma sobrevivente de infanticídio. A maioria das pessoas que atuam no documentário são também sobreviventes ou indígenas que salvaram crianças destinadas à morte. As cenas, como é possível observar, são simulações que recriam o ambiente e o ritual.

Sobre a prática, vamos ponderar:
Pesquisando sobre o posicionamento de algumas instituições, descobri que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) discordam da criminalização do infanticídio indígena, alegando ser “respeito à cultura”. Vejamos: respeito à cultura, que se sobrepõe ao respeito ao ser humano, que é quem faz a cultura. Parece um pouco paradoxal. Há respeito à cultura de um povo onde não há respeito ao indivíduo em algum de seus aspectos (o “eu” – relação do indivíduo consigo mesmo, o “ser” – relação do indivíduo com o meio, e a “pessoa” – relação do indivíduo com outros indivíduos)?

“Antigamente”, no Ocidente, os mortos/doentes eram enterrados vivos. Era isso que ocorria com os leprosos, considerados socialmente mortos. Quando procurei referências a respeito do infanticídio nos dias atuais – especialmente sobre o infanticídio indígena -, a alegação favorável mais comum que encontrei foi a de que apenas as crianças que não têm condições sociais de sobrevivência dentro da tribo são mortas. Independentemente do motivo, o fato contraria o Art. 5 da Constituição Federal:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Ressalto:

“VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.”

Algumas tribos já permitem a adoção de tais crianças por  pessoas não indígenas, o que é um avanço e tanto. Contudo, ainda não é solução.

A vida humana é inviolável.

(Assista ao vídeo do começo desse post.)

Read Full Post »

Imagem: Salvador Dalí

O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia.

E como um dia faltassse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.

José Paulo Paes

Read Full Post »

Sicko

Essa semana reservei um tempinho para assistir ao documentário Sicko (Michael Moore – 2007), que mostra o Sistema de Saúde norte-americano comparando-o com o de outros países, como a França e Cuba.

O documentário faz a comparação vendo a perspectiva ética – e não a biológica. Bem-humorado como de praxe, típico do Moore. Contudo, a vontade vezenquando é de chorar.

Obviamente também guarda alguns problemas, como focar apenas nas falhas do sistema de saúde norte-americano e na grandeza dos demais, sem  mostrar  bons e maus aspectos de ambos. Também falha no comparativo educacional, onde não mostra a qualidade do ensino privado (também porque não é este o propósito).

Ainda assim, recomendo muitíssimo.

Segue:

(Clique em “Continuar lendo” para ver os demais vídeos, são 12. O documentário está na íntegra.)

(mais…)

Read Full Post »

Todos somos um

Esse vídeo faz parte do (absolutamente sensacionalista) filme Zeitgeist Addendum. O trecho selecionado é de George Carlin, autor, humorista e ator norte-americano. Recomendo outros vídeos de Carlin, como esse e esse.

Quando o assunto é ateísmo e humor, recomendo também os vídeos do Tim Minchin, especialmente esse e esse.

Read Full Post »

Em 2009, na RTP, televisão portuguesa, foram fornecidos 60 segundos para a divulgação científica. O resultado é belo. São vídeos de temas científicos ligados à astronomia, produzidos por astrônomos e comunicadores de ciência profissionais. Excelente, não?

Segue:

1. Por que a Astronomia é importante?

2. Anos-Luz

Para visualizar todos os vídeos, favor clicar em “Continuar lendo”, logo abaixo.

(mais…)

Read Full Post »