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Archive for the ‘Atheism’ Category

Imagem: A parábola dos cegos – Brueghel

Nada causa mais medo que a consciência da nossa destruição. A morte é o medo supremo. Morrer é o total desaparecimento do meu “eu no mundo” (vida social, pensamento e corpo do indivíduo) e, ao me deparar com a morte, me confronto com a minha própria finitude. Porém… Como seria se a morte não existisse?

José Saramago escreveu seu premiado romance “As intermitências da morte” criando um país imaginário onde ninguém mais “batia as botas”. Com a greve da macabra figura da morte, o país passa a viver (claro!) um problema: a falta de óbitos não prejudica apenas as funerárias, mas lota os hospitais de pacientes agonizantes que não conseguem “descanso”. A população aumenta sem cessar, os idosos acumulam doenças típicas da idade avançada e a Igreja, que tinha na morte os seus alicerces, se vê em crise. A morte é a única certeza da vida. Negar a morte, portanto, também é negar a vida. “O homem é um cadáver adiado”, disse Fernando Pessoa.

Doris Rinaldo (1996) comenta como desde o paleolítico agimos de forma a tentar domesticar a morte, ritualizando-a. Tentamos impedir o fim natural dos nossos parentes e amigos, sob a necessidade de acreditar que a existência não acaba agora, nem aqui. O ritual é uma forma aparente de “confirmar” a crença, de firmá-la, de torná-la palpável. Aquilo que não possui evidências tende a ser ritualizado, na tentativa de que o ritual se confunda com evidência.

Antigamente (2009) costumava passar na TV Escola um documentário chamado How art made the world, do Nigel Spivey. No último episódio é mostrado como o homem sempre teve medo e fascínio pela morte, criando em torno dela mitos dos mais diversos. A imagem da morte nos aterroriza e reconforta. Por que construímos cemitérios para os mortos e suas fotografias permanecem nas paredes de nossas casas? No século XXI, as pessoas veem muito menos cadáveres que em qualquer outro período da história. Contudo, parecemos muito mais “problemáticos” com a imagem da morte que nossos antepassados. O documentário passeia do Oriente Médio até a América para descobrir o motivo. E você pode assisti-lo aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6.

O medo da morte nos valoriza como espécie, nos mantém firmes no instinto de sobrevivência. Mas é pelo medo da morte que o homem se torna escravo de certas “crenças confortadoras”, que prometem uma outra vida: uma vida que não existe. É comum, inclusive, encontrar pessoas que renunciam à sua vida atual em prol de uma vida futura inexistente. A condição que deveria nos aproximar (todos nós morreremos um dia), nos afasta. “Eu vou para o céu, você vai para o inferno”, “Eu creio em um deus, você crê em outro deus”, “Você é um pecador”. A crença em seres superiores dividiu a humanidade em santos e sátiros, disputando por um espaço post mortem que jamais terão.

(Continua amanhã, no próximo post.)

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Imagem: Salvador Dalí

O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia.

E como um dia faltassse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.

José Paulo Paes

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Todos somos um

Esse vídeo faz parte do (absolutamente sensacionalista) filme Zeitgeist Addendum. O trecho selecionado é de George Carlin, autor, humorista e ator norte-americano. Recomendo outros vídeos de Carlin, como esse e esse.

Quando o assunto é ateísmo e humor, recomendo também os vídeos do Tim Minchin, especialmente esse e esse.

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Atheism

Comercial ateísta – Legendado.

Atheism Free your mind.

Poema utilizado:

“God wants religion
to be a barrier
To divide all the different people
Who stood side by side.

God wants hypocrisy
And constant war.
Common sense
He wants to ignore.

God wants exploitation,
His voice to be heard
And to spread diseases
that will never be cured.

He wants riches,
“It’s my word,” he’ll cry.
While millions of people Fall down. And die.

Well Here I am God,
doubting your existence, questioning your omnipotence.
To you the suffering world pleads their case,
to all you refuse to show your face,
in the eyes of the believers and the congregation,
I am condemned to hell, deserved of damnation.

But because I choose to think freely,
I do not have to listen to the merciless cries from the imaginary deity.”

Desconheço autoria.

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