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Archive for the ‘Opinião’ Category

Na cidade de São Paulo, um artista resolveu fazer uma manifestação pela paz. Caracterizou-se como terrorista, fabricou uma “arma” e colocou uma flor na ponta.
Eis o que aconteceu:

Não, não acaba aí. Há mais:

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O documentário Hakani, que encontrei navegando sem rumo pelo Youtube, foi uma cooperação com dez povos indígenas diferentes. Filmado por David L. Cunningham (que utilizou bolo de chocolate para parecer terra), o filme carrega no título o nome de uma sobrevivente de infanticídio. A maioria das pessoas que atuam no documentário são também sobreviventes ou indígenas que salvaram crianças destinadas à morte. As cenas, como é possível observar, são simulações que recriam o ambiente e o ritual.

Sobre a prática, vamos ponderar:
Pesquisando sobre o posicionamento de algumas instituições, descobri que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) discordam da criminalização do infanticídio indígena, alegando ser “respeito à cultura”. Vejamos: respeito à cultura, que se sobrepõe ao respeito ao ser humano, que é quem faz a cultura. Parece um pouco paradoxal. Há respeito à cultura de um povo onde não há respeito ao indivíduo em algum de seus aspectos (o “eu” – relação do indivíduo consigo mesmo, o “ser” – relação do indivíduo com o meio, e a “pessoa” – relação do indivíduo com outros indivíduos)?

“Antigamente”, no Ocidente, os mortos/doentes eram enterrados vivos. Era isso que ocorria com os leprosos, considerados socialmente mortos. Quando procurei referências a respeito do infanticídio nos dias atuais – especialmente sobre o infanticídio indígena -, a alegação favorável mais comum que encontrei foi a de que apenas as crianças que não têm condições sociais de sobrevivência dentro da tribo são mortas. Independentemente do motivo, o fato contraria o Art. 5 da Constituição Federal:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Ressalto:

“VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.”

Algumas tribos já permitem a adoção de tais crianças por  pessoas não indígenas, o que é um avanço e tanto. Contudo, ainda não é solução.

A vida humana é inviolável.

(Assista ao vídeo do começo desse post.)

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Sicko

Essa semana reservei um tempinho para assistir ao documentário Sicko (Michael Moore – 2007), que mostra o Sistema de Saúde norte-americano comparando-o com o de outros países, como a França e Cuba.

O documentário faz a comparação vendo a perspectiva ética – e não a biológica. Bem-humorado como de praxe, típico do Moore. Contudo, a vontade vezenquando é de chorar.

Obviamente também guarda alguns problemas, como focar apenas nas falhas do sistema de saúde norte-americano e na grandeza dos demais, sem  mostrar  bons e maus aspectos de ambos. Também falha no comparativo educacional, onde não mostra a qualidade do ensino privado (também porque não é este o propósito).

Ainda assim, recomendo muitíssimo.

Segue:

(Clique em “Continuar lendo” para ver os demais vídeos, são 12. O documentário está na íntegra.)

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Todos somos um

Esse vídeo faz parte do (absolutamente sensacionalista) filme Zeitgeist Addendum. O trecho selecionado é de George Carlin, autor, humorista e ator norte-americano. Recomendo outros vídeos de Carlin, como esse e esse.

Quando o assunto é ateísmo e humor, recomendo também os vídeos do Tim Minchin, especialmente esse e esse.

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Imagem: Portais de notícias – Clique para ampliar

I. Realmente, uma criança é horrivelmente ameaçadora.
II. Vejam isso.
III. Quem paga esse cidadão é você, sou eu… Financiamos essa cena, não é?
IV. Esse cidadão é perverso fardado ou não. Uma farda não transforma um homem, apenas lhe transfere alguns direitos (e deveres). Contudo, conferir a um imbecil destes algum tipo de poder é autorizar a desordem. Ah, não é p’ra dizer? Pois repito: imbecil.
V. Lembro do que disse Drummond.

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Imagem: Refugiados – Sebastião Salgado

“M.A.D.A. com 29 anos, brasileiro, solteiro, operário, foi indiciado pelo inquérito policial pela contravenção de vadiagem, prevista no artigo 59 da Lei das Contravenções Penais. Requer o Ministério Público, a expedição de Portaria Contravencional. O que é vadiagem? A resposta é dada pelo artigo supramencionado: ‘entregar-se habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho…’ Trata-se de uma norma legal draconiana, injusta e parcial. Destina-se apenas ao pobre, ao miserável, ao farrapo humano, curtido vencido pela vida. O pau de arara do Nordeste, o boia-fria do sul. O filho do pobre, que é pobre, sujeito está à penalização. O filho do rico, que rico é, não precisa trablhar, porque tem renda paterna para lhe assegurar os meios de subsistência. Depois se diz que a lei é igual para todos! Máxima sonora na boca de um orador, frase mística para os apaixonados e sonhadores acadêmicos de Direito. Realidade dura e crua para quem enfrenta, diariamente, filas e mais filas na busca de um emprego. Constatação cruel para quem, diplomado, incursiona pelos caminhos da justiça e sente que os pratos da balança não tem o mesmo peso. M.A. mora na Ilha das Flores (?) no estuário do Guaíba. Carrega sacos. Trabalha ‘em nome’ de um irmão. Seu mal foi estar em um bar na Voluntários da Pátria, as 22:00 horas. Mas se haveria de querer que estivesse numa uisqueria ou choperia do centro, ou num restaurante de Petrópolis, ou ainda numa boate de Ipanema? Na escala de valores utilizada para valorar as pessoas, quem toma um trago de cana, num bolicho da Volunta, ás 22 horas, e não tem documento, nem um cartão de crédito, é vadio. Quem se encharca de uísque escocês numa boate da Zona Sul e ao sair, na madrugada, dirige (?) um belo carro, com a carteira recheada de ‘cheques especiais’, é um burguês. Este, se é pego ao cometer uma infração de trânsito, constatada a embriaguez, paga a fiança e se livra solto. Aquele, se não tem emprego, é preso por vadiagem. Não tem fiança (e mesmo que houvesse, não teria dinheiro para pagá-la) e fica preso. De outro lado, na luta para encontrar um lugar ao sol, ficará sempre de fora o mais fraco. É sabido que existe desemprego flagrante. O zé ninguém (já está dito) não tem amigos influentes, não há apresentação, não há padrinho, não tem referências, não tem nome, nem tradição. É sempre preterido. É o Nico Bondade, já imortalizado no humorismo (mais tragédia que humor) do Chico Anísio. As mãos que produzem força, que carregam sacos, que produzem argamassa, que agarram na picareta, nos andaimes, que trazem calos, unhas arrancadas, não podem se dar bem com a caneta nem com a vida. E hoje para qualquer emprego, exige-se, no mínimo, o primeiro grau. Aliás, grau acena para graúdo. E deles é o reino da terra. Marco Antônio, apesar da imponência do nome é miúdo. E sempre será. Sua esperança? Talvez o Reino do Céu. A lei é injusta. Claro que é. Mas a Justiça não é cega? Sim, mas o Juiz não é. Por isso: determino o arquivamento do processo deste inquérito.

Porto Alegre, 27 de setembro de 1999.

Moacir Danilo Rodrigues. Juiz de Direito – 5 Vara Criminal.”


Meus sinceros agradecimentos ao amigo Luiz C. Lorencetti, pelo achado.

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Imagem: Escola de Atenas – Rafael

“Se todos os seres humanos, menos um, tivessem uma opinião, e apenas uma pessoa tivesse a opinião contrária, os restantes seres humanos teriam tanta justificação para silenciar essa pessoa, como essa pessoa teria justificação para silenciar os restantes seres humanos, se tivesse poder para tal. Caso uma opinião constituísse um bem pessoal sem qualquer valor exceto para quem a tem, e se ser impedido de usufruir desse bem constituísse apenas um dano privado, faria alguma diferença se o dano estava a ser infligido apenas sobre algumas pessoas, ou sobre muitas. Mas o mal particular em silenciar a expressão de uma opinião é o de que constitui um roubo à humanidade; à posteridade, bem como à geração atual; àqueles que discordam da opinião, mais ainda do que àqueles que a sustentam. Se a opinião estiver certa, ficarão privados da oportunidade de trocar erro por verdade; se estiver errada, perdem uma impressão mais clara e viva da verdade, produzida pela sua confrontação com o erro — o que constitui um benefício quase igualmente grande.”

John Stuart Mill

 

Não vi melhor forma de falar sobre liberdade de expressão – ou o direto a – do que esse trecho de John Stuart Mill em seu livro “Sobre a Liberdade” (On liberty), de 1859, tradução de Pedro Madeira.

 

Pluralismo é necessidade. Salve, Mill!

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