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Archive for the ‘Poesias’ Category

Imagem: Salvador Dalí

O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia.

E como um dia faltassse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.

José Paulo Paes

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O que eu calo

Imagem: Search images – Google

“Entre a fala e o falo, existe o desejo que eu calo.”

Rodrigo Tome

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Entranhas

Imagem: Desconheço autoria, pega do twitter do John Agra

Da entrada à entranha
dessa eterna
morada
da morte diária
molhada
de mim
desde dentro
o tempo
acaba.

Entre lábio e lábio
de mucosa rósea
que abro
e me abra
ça a cabe
ça o tronco
o membro
acaba o tempo.

Arnaldo Antunes

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Vestígios

Imagem: Lego’s recreation – Henri Cartier Bresson

Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de bando,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
a alma, esse conto de fada.

Paulo Leminski

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Imagem: Rain park night – Leonid Fremov

“Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível – a de haver uma realidade
Perante este horrível ser que é haver ser
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
– Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena… se transforma em outra coisa –
Numa coisa tremenda e negra e impossível.
Uma coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino.
Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino.
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora…”

 

Fernando Pessoa / Álvaro de Campos

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Imagem: foto – Sebastião Salgado

“E a memória de tudo desmanchará suas dunas desertas,

e em navios novos homens eternos navegarão.”

Cecília Meireles

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Epigrama n° 2

Imagem: Frágil resistência – Raul Alexandre

És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir, e , quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste.

Cecília Meireles (1901 – 1964)

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